A
adolescência é uma fase boa da vida, pela qual todos passamos, com
aspetos positivos e negativos, que temos que aprender a gerir.
Nessa
altura pensamos que já sabemos tudo, muitas vezes não aceitamos com
agrado os conselhos dos pais, dos professores, dos adultos em geral.
É uma
fase confusa, porque já nem somos crianças, mas também ainda não
somos adultos, e isso pode causar problemas , complexos,
perturbações, inseguranças, mal estar familiar, etc., que nos leva
muitas vezes a desejar ser outra pessoa, ou porque não gostamos do
nosso cabelo que é liso e gostávamos que fosse encaracolado, ou
porque começamos a ter borbulhas e queríamos ter a pele lisinha
como o rabo de um bebé, ou porque desejávamos uns pais que não
implicassem tanto, ou porque …, ou porque...
Imagina, abrires a lista das Páginas Amarelas e na letra I encontrares: «Identidades – Originais e Sobressalentes»; ou então entrares numa loja e pedir «Uma nova identidade, se faz favor?» e de viajares até ao mundo de O Novo Eu.
Foi o
que aconteceu a Abby Hunter, a protagonista deste livro
Gostava de
ser Diferente ...
Texto
Kathleen Leverich
Editorial
Presença
“Abby
foi direita aos lavabos. Inclinou-se sobre o lavatório e molhou a
cara com água fria. Fez uma concha com a mão e bebeu. (…)
O papel
áspero e castanho parecia lixa na sua pele. Enquanto secava as faces
com palmadinhas, observou-se ao espelho.
Parecia
tão mal como se sentia. Tinha a pele como que esverdeada. Os olhos
contornados por olheiras negras. E aquele cabelo horrível! Quando o
cortara, pensava que ia ficar com aquela cortina de cabelo até ao
queixo, baloiçando sempre que se movia. Como o modelo do retrato.
Mas o modelo tinha um cabelo espesso, liso e acetinado. O de Abby era
fino, fraco e não era liso. Em vez de uma cortina baloiçante,
ficara com um trapo velho. (…)
Como é
que podemos não nos reconhecer? Pensou. (…)
Olhou
outra vez para o espelho. Pela centésima vez desejou ter mudado
drasticamente de nome, no primeiro dia de aulas. Não de Abby para
Abigail, mas de Abby para … Alguma coisa próxima daquilo que
sentia por dentro. Olhou para si própria e pensou; Arden Hunter?
Natasha Hunter? Yasmin Hunter? Se o tivesse feito, a sua vida
agora podia ser completamente diferente.”
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Ilustração Brigette Barrager |
“... os
adolescentes são por natureza comunicativos, sensíveis e
solidários. Em contraste com os adultos, vivem menos apressados,
encetam mais facilmente conversa com um vizinho no elevador, aceitam
a boleia de um outro quando estão à espera do autocarro, estão
disponíveis para trocar um sorriso de cumplicidade com a empregada
da caixa registadora do supermercado. (…)
Constituem,
sem dúvida, um óptimo motor de humanização das vidas dos adultos
e são essenciais para nos ajudar a cultivar um modo de estar mais
solidário. São eles que, diariamente, nos ajudam a não andar na
vida tão fechados sobre nós próprios e os nossos pequenos mundos.
Simplesmente, por vezes, precisam também de uma pequena ajuda da
nossa parte.”
Helena
Fonseca,
in
Compreender os adolescentes:
um desafio para pais e educadores
Editorial
Presença