sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Leitura com cheiro

O começo das aulas em setembro, traz-nos de volta o cheiro dos livros novos. Diretamente da livraria para as nossas mãos, apetece folheá-los, lê-los, explorá-los (mesmo que a matéria não seja muito atrativa!), apetece sempre mexer-lhes.

E se do livro se desprender um aroma que nos faz ficar com água na boca?
O que te parece, queres experimentar?

Então só tens que seguir o cheiro da nossa sugestão de leitura para o fim de semana.

Livro com cheiro a morango
Texto de Alice Vieira
Ilustrações de Carla Nazareth
Texto Editores
 
 
Este livro que serve de moldura aromática à escrita de Alice Vieira, contém várias histórias deliciosas quer pelo que contam, quer pelo irresistível aroma de morango que as perfuma.
É recomendado pelo Plano Nacional de Leitura.

 
A senhora duquesa quer leite
 
Decorria lentamente a tarde quando a senhora Duquesa disse:
- Gastão, traz-me uma chávena de leite.
Gastão, que era mordomo e muito bem-educado, respondeu: - Senhora Duquesa, não há leite.
A senhora Duquesa, muito admirada, perguntou: - Mas porquê, Gastão? Será que as nossas vacas deixaram de dar leite?
Gastão, que era mordomo e muito bem-educado, respondeu: - A senhora Duquesa deve estar a fazer confusão: não temos vacas. Vivemos num prédio e era completamente impossível tê-las aqui.
A senhora Duquesa endireitou-se devagar na sua poltrona e disse: - Então donde é que vem o leite que diariamente eu bebo?
Gastão, que era mordomo e muito bem-educado, respondeu: - Do supermercado da esquina.
A senhora Duquesa suspirou longamente e disse: - E então porque não há leite?
Gastão, que era mordomo e muito bem-educado, suspirou ainda mais longamente e disse: - Porque a senhora Duquesa há mais de cinco meses que não paga a conta. Ainda ontem tentei lá entrar e logo eles berraram: «Não queremos cá caloteiros!»
A senhora Duquesa franziu a testa e, muito pausadamente, disse: - Que modos tão grosseiros, Gastão! Queres tu dizer que, se eu não pagar o que devo ...
- ... não há leite para ninguém.
- Queres tu dizer que, se eu quiser uma chávena de leite, é melhor ...
- ... pagar rapidamente o que deve.
A senhora Duquesa voltou a endireitar-se lentamente na poltrona e pensou nas palavras de Gastão.
Pensou bem, pensou muito bem, pensou muitíssimo bem. Então, suspirando ainda mais longamente, disse: - Gastão, traz-me uma chávena de chá.
 
 
Saboreia as restantes histórias do livro.
Vem à Biblioteca Municipal requisitá-lo.



Carla Nazareth nasceu em 1975, em Moçambique e viveu os primeiros anos da sua infância numa aldeia minhota. Morou também em Coimbra e, mais tarde, mudou-se para Lisboa, cidade da qual prefere guardar a luz que reflete as cores.
Designer de comunicação e ilustradora, licenciou-se em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa, em 1998, e trabalhou para várias empresas e organizações de design e em 2001 inicia a sua atividade como ilustradora infantil.
Dirige a NósnaLinha, um atelier de comunicação essencialmente vocacionado para o público infanto-juvenil e que surgiu como resposta ao aumento do volume de trabalho e dos novos desafios que se impõem às “mentes sonhadoras”, desde que decidiu deixar de trabalhar por conta de outrem e constituir-se freelancer.
Com algumas dezenas de livros publicados com textos de autores como Alice Vieira, Maria Rosa Colaço, Margarida Fonseca Santos, José Jorge Letria, Maria Teresa Maia Gonzalez, Ana Zanatti, António Mota, Marta Gómez Mata, realizou já várias exposições individuais.
A sua inspiração surge em cada passeio, observação pelo mundo e pela natureza. Surge através das artes visuais, da dança, música, livros e revistas.
As suas ilustrações são de uma beleza sensível, habitadas por traços simples, cores alegres em tons pastel luminosos, e formas arredondadas ou esguias, numa conjugação de elementos que nos remete para o imaginário do encantatório.

Bom fim de semana
Ilustração de Alessandra Vitelli





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