15 novembro 2013

Fim de semana a ler

És do tipo leitor compulsivo que devora livros?

Ilustração de Oliver Jeffers

Serás um Vivaldo Bonfim, que entra no mundo dos livros e um dia se perde na leitura?
É a sua história que te sugerimos como leitura de fim de semana, contada na primeira pessoa pelo filho, Elias Bonfim, que irá à procura do seu pai, percorrendo clássicos da literatura cheios de assassinos, paixões devastadoras, feras e outros perigos feitos de letras.

“Os livros que devoraram o meu pai:
a estranha e mágica história de Vivaldo Bonfim”
Texto de Afonso Cruz
Editorial Caminho
 

“Uma biblioteca é um labirinto. Não é a primeira vez que me perco numa. Eu e o meu pai temos isso em comum. Penso que foi isso que lhe aconteceu. Ficou perdido no meio das letras, dos títulos, perdido no meio de todas as histórias que lhe habitavam a cabeça. Porque nós somos feitos de histórias, não é de a-dê-énes e códigos genéticos, nem de carne e músculos e pele e cérebros. É de histórias. O meu pai, tenho a certeza, perdeu-se nesse mundo e agora ninguém lhe consegue interromper a leitura. Li, numa das minhas tardes passadas no sótão, um conto de um escritor argentino chamado Borges, sobre um labirinto que é um deserto. Há inúmeros lugares onde um ser humano se pode perder, mas não há nenhum tão complexo como uma biblioteca. Mesmo um livro solitário é um local capaz de nos fazer errar, capaz de nos fazer perder. Era nisto que eu pensava enquanto me sentava no sótão entre tantos livros".
 
  
 


Afonso Cruz nasceu na Figueira da Foz em 1971. Ilustrador, escritor, músico e realizador de filmes de animação.
Fez a sua formação superior nas Belas Artes de Lisboa e no Instituto Superior de Artes Plásticas da Madeira.
Ilustrou algumas dezenas de livros para crianças com textos de José Jorge Letria, Alice Vieira, António Manuel Couto Viana, António Mota, entre outros, em que sobressai a densidade e expressividade das suas figuras muitas vezes marcadas pelo humor.
Já venceu vários prémios:
  • Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, com o livro Enciclopédia da estória universal;
  • Prémio Literário Maria Rosa Colaço, com a obra Os livros que devoraram o meu pai;
  • O seu livro A contradição humana, foi escolhido para a exposição White Ravens e para a Lista de Honra do IBBY - International Board on Books for Young People, recebeu uma menção especial do Prémio Nacional de Ilustração, além de ter ganho o Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores/RTP e o Prémio Ler/Booktailors na categoria Melhor Ilustração Original;
  • Prémio Time Out Lisboa – O Melhor Livro do Ano, com Jesus Cristo bebia cerveja;
  • Prémio da União Europeia de Literatura com o livro A boneca de Kokoschka.
Colaborou em várias antologias e publicou várias ilustrações na imprensa periódica, nomeadamente para a revista Rua Sésamo, em manuais escolares e publicidade. Assina uma crónica mensal no Jornal de Letras, Artes e Ideias sob o título Paralaxe.
Faz parte da banda de blues The Soaked Lamb.

 

Vem descobrir se Elias encontrou o pai.
Requisita o livro

Bom fim de semana


Ilustração de Yvonne Hoppe-Engbring











11 novembro 2013

O verão de S. Martinho é um dia e um bocadinho

Hoje, dia 11 de novembro celebra-se o S. Martinho.

Martinho era um valente soldado do exército romano. Conta a lenda que num dia de temporal com muito frio e vento, estando de regresso a casa, montado no seu cavalo, lhe apareceu um mendigo vestido com roupas velhas e rotas que lhe pediu esmola. Como Martinho não tinha nada para lhe dar, pegou na espada e cortou a meio a capa que trazia vestida dando metade ao mendigo.
Então, como por milagre o mau tempo desapareceu, parecia que era verão.
Todos os anos, nesta altura, mesmo sendo outono, durante alguns dias a temperatura fica mais amena com o céu azul; é o verão de S. Martinho.
Martinho converteu-se ao Cristianismo e foi para França, onde fundou um mosteiro, tornando-se um dos santos mais populares.
A festa de S. Martinho é comemorada com magustos, uma vez que nesta época do ano, as castanhas já estão maduras, podendo ser acompanhadas com a tradicional água pé.

Pintura de Wilfred Thompson

O mês de Novembro ia frio carregado de nuvens.
Mas no dia 11 o sol sorriu e as nuvens fugiram todas.
- Parece Verão! – exclamou o Ricardo.
- É o Verão de S. Martinho – explicou a professora – Todos os anos acontece o mesmo.
(…)
À tarde, fizeram um magusto no pátio do recreio, com castanhas acompanhadas de … laranjada. Só o Ricardo comeu quase metade. Devorou as da Inês, que estava mal da barriga, as da Dulce, que andava a fazer dieta, as do Ivo, que saiu mais cedo. E as da professora, que não era apreciadora. Aquele rapaz tinha um apetite insaciável.
Quando a mãe o foi buscar, arrastou-a até à praça, onde um vendedor apregoava, no meio de uma nuvem de fumo branco:
- São quentes e boas! São quentes e boas!
- Mãe, apetecem-me tanto … - insistiu ele.
A mãe ofereceu-lhe uma dúzia de castanhas estaladiças, metidas num pacote de papel da lista de telefones.
(…)
À noite estava tão inchado que parecia ter engolido uma bola de futebol.
Meteu-se no quarto, sem dar parte fraca. Rebolou-se na cama, numa aflição.
Malditas castanhas! Jurou que nunca mais havia de as trincar.
E, como não conseguia dormir, resolveu, também ele, fazer um provérbio:
No dia de S. Martinho,
Oferece as castanhas ao teu vizinho.”

 Luísa Ducla Soares,
in O livro das datas


No dia de S. Martinho
vem à Biblioteca,
ler um bocadinho. 


Ilustração de Tânia Bailão Lopes

04 novembro 2013

Tutankamon, a múmia famosa

Quando em 4 de novembro de 1922 o arqueólogo britânico Howard Carter descobre o túmulo do faraó egípcio Tutankamon, quase intacto e repleto de tesouros que revelam muito sobre o Antigo Egito, tornava-o assim na múmia mais conhecida em todo o mundo e a mais fascinante para a imaginação moderna.




Máscara que cobria o rosto da múmia de Tutankamon, feita de ouro maciço e incrustada de pedras semipreciosas, pesando 11 kg.









Tutankamon nasceu por volta do ano 1362 a. C. e tornou-se faraó com cerca de 9 anos, mas o seu reinado foi curto, pois morreu subitamente quando tinha 19 anos, no ano 1343 a. C.

O seu pai era o faraó Amenófis III, um dos mais ricos e bem sucedidos ao longo de toda a história do Egito. Como tantos outros rapazes de sangue real, Tutankamon frequentou a escola. As lições que recebia eram dadas pelos escribas do palácio que o ensinaram a ler a escrita egípcia a que se chama hieroglífica e a escrever em papiro (papel feito de junco), servindo-se de uma caneta feita de pena de ganso e tinta composta por fuligem com cola. Praticava luta corpo a corpo e natação e aprendeu também a caçar animais selvagens e a combater na guerra.

Tutankamon foi coroado numa cerimónia cheia de esplendor, onde foi conduzido através de um templo escuro e misterioso, até chegar junto do trono sagrado onde lhe colocaram coroas na cabeça.

Depois de ter sido coroado, tornou-se um deus e o supremo sacerdote do Egito.



Reconstruiu a antiga capital, Tebas, onde viveu num palácio cheio de esplendor. O seu reinado custeou novos templos e estátuas em diversas zonas do país, criando monumentos notáveis que ainda hoje se podem admirar.

Foi enterrado num túmulo escavado a uma grande profundidade, na encosta de uma colina no Vale dos Reis, no Alto Egito. O seu corpo foi transformado em múmia e encerrado num sarcófago revestido a ouro. A sua câmara mortuária continha tudo o que o espírito de um faraó morto pudesse vir a necessitar, desde alimentos e bebidas até livros e jogos de tabuleiro. As paredes do túmulo foram cobertas com imagens repletas de magia que representavam a nova vida de Tutankamon no mundo dos mortos. Muitos dos nossos conhecimentos acerca dos antigos egípcios e dos faraós têm origem nas pinturas existentes nesses túmulos.



A alta tecnologia permitiu a reconstrução do rosto de Tutankamon, num modelo em fibra de vidro que se encontra exposto no Museu de Ciência de Londres.






Já imaginaste descobrir coisas novas a respeito de alguém que viveu há milhares de anos atrás?
Vem fazer essa descoberta na sala infantil/juvenil da Biblioteca Municipal.

Não sejas múmia, anda daí!


25 outubro 2013

LIVROS EM MOVIMENTO

Apesar das condições climatéricas não serem as melhores para sair, já não conseguimos segurar por mais tempo os nossos livros.
 
Eles já não aguentam mais!
 
Já não são lidos há muito tempo, sentem saudades das mãos, dos olhos e das vozes das crianças.
 
 
 
 
HOJE LIBERTÁMOS OS LIVROS.
 
HOJE HÁ 
LIVROS EM MOVIMENTO
 
 
 
 
Hoje, as funcionárias da Biblioteca Municipal fizeram chegar muitos livros às crianças das nossas escolas do 1º ciclo. É com estas crianças que os nossos livros vão ficar ao longo do ano letivo.
 
É a festa da leitura que vai ser retomada.
 
 
ELES JÁ ESTÃO A CHEGAR!
 
 
 
 
Para saber mais sobre os livros,
onde estão,
quem são
e como se chamam, basta
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

23 outubro 2013

“Contar histórias é uma janela que se abre para despertar o gosto pela leitura” Jucelma Schneid

A pouco mais de um mês do começo do ano letivo, voltámos a Contar com as crianças do pré escolar e do 1º ciclo do ensino básico do nosso concelho, para mais uma atividade da Hora do conto, concebida de forma a promover o livro e a leitura junto dos mais pequenos.
Ontem recebemos 45 crianças que vieram da Fonte Santa - Jardim de infância e uma turma do 3º ano - que trouxeram energia, cor e alegria à nossa Biblioteca, contrastando com o dia triste e cinzento que se fazia sentir lá fora.

 
 


A atividade começou com uma visita guiada pelos vários espaços da Biblioteca acompanhada de uma breve explicação sobre a sua funcionalidade. Algumas das crianças do 3º ano, já sendo nossas leitoras, iam ajudando na explicação aos mais pequeninos.

Como esta visita só foi comunicada à Biblioteca no próprio dia, efetuámos um peddy paper que já tinha sido programado no ano letivo passado, onde as crianças vão descobrindo as várias personagens do livro de Luísa Ducla Soares, “Uma vaca de estimação”, ao longo das secções da Biblioteca, dando origem a grande euforia e entusiasmo, mas que no momento de leitura da história que acontece na sala infantil, se transforma em silêncio e atenção.

 


No final estes amigos da Fonte Santa prometeram voltar brevemente à Biblioteca, pela nossa parte o encontro vai ser muito mais cedo, uma vez que os Livros em Movimento estão já, já aí …


Estejam atentos


 

18 outubro 2013

O que fazer neste fim de semana de outono?...

... tempo lamechas, possibilidade de chuva...
E que tal barbatanar?
Barbatanar!?
Sim,

Barbatanar nas cores do arco-íris
texto de Carlos Canhoto
ilustrações de Marc
Pé de Página Editores


Chiiii!!!... eram tantos! Todos muito parecidos uns com os outros, apesar das pequenas diferenças, algumas minúsculas, que os distinguiam.
- Olha lá, porque é que tu tens aqui duas riscas amareladas e eu, que nasci primeiro, só tenho uma? – refilava um, muito chateado.
Lamentava-se outra:
- Mãe, mãe! As cores dele são mais brilhantes do que as minhas!!!
- É natural, - respondeu-lhe a mãe, sorrindo carinhosamente – ele é um menino e, na nossa espécie, os machos são mais vistosos do que nós, as fêmeas.
E outro mais:
- Mãe, este mano aqui tem uma tatuagem, e eu não tenho! – E começou logo a fazer birra, a bater a barbatana e a gritar – Eu também quero uma! Eu também quero uma!
- Vá lá, não sejas assim, tu também tens aqui uma parecida, está mais atrás e, por isso, não consegues vê-la – tentou sossegá-lo a mãe.
Até apareceu um que já queria mandar:
- Olhem todos para mim! Tenho mais pintas azuladas do que vocês!!! Por isso vêm já atrás de mim … Vá … Vá … Venham!...
- Isso, isso, “tá-se” mesmo a ver … olha que te mordo a barbatana de trás! – Voltou-lhe um irmãozinho aborrecido com os ares de convencido do mandão.
E foi assim, entre birras e alegrias, que melhor se ficaram a conhecer, o que levou um longo mês de confusão e diversão.
Assim começa a história de Flu, um peixinho colorido como a alegria, que viveu no estuário de um rio muito grande, quase à vista do mar e, depois … bom …
depois … só precisas de vir à Biblioteca requisitar o livro e … ir barbatanar para qualquer lugar.
                       

Este livro é aconselhado pela Casa da Leitura da Gulbenkian e pelo Plano Nacional de Leitura e o seu autor, Carlos Canhoto, ganhou em 2006 o Prémio Literário Maria Rosa Colaço, na área juvenil, com o conto “O monte secou”.
 
Ilustração de Emily Winfield Martin

Bom fim de semana
 
 
 
 

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